sábado, 4 de dezembro de 2010

Sátiros


Na mitologia grega, os sátiros (em grego, Σάτυροι,Sátyroi, talvez relacionado ao grego sathê, "pênis") são divindades menores da natureza com o aspecto de homens com cauda e orelhas de asno, narizes chatos, lábios grossos, barbas longas e órgãos sexuais de dimensões acima da média, muito freqüentemente mostrados em ereção.
Em algumas tradições gregas, Sileno aparece como o pai da tribo dos sátiros. Sileno era um velho sábio, deus da embriaguez, que sempre acompanha Dionísio.
Além de Sileno, outro sátiro muito popular na mitologia grega foi Marsias. De acordo com algumas lendas, Marsias foi quem desafiou o deus Apolo num concurso musical. Marsias era um excelente tocador de flauta doce. Neste concurso, as Musas foram os juízes e, no final, Apolo saiu vencedor. Como punição, Apolo pregou a pele do sátiro numa árvore e o sangue que escorreu formou o rio Marsias.
Sátiros envelhecidos, representados calvos e barrigudos, eram chamados de silenos (seilenoi, em grego), cujo nome talvez derive do trácio zílai, "vinho".
Sileno, o líder ou pai dos sátiros e silenos, é freqüentemente representado montado num burro sobre o qual se equilibra com dificuldade, por estar sempre bêbado.

Filho de Pã e de uma melíade ou, segundo outra versão, nascido como as melíades do sangue de Urano que caiu na Terra, Sileno foi encarregado de cuidar de Dioniso quando criança. Depois, quando o deus já estava adulto, acompanhou-o em suas viagens.

Regressando da Índia, Sileno estabeleceu-se na Arcádia, onde seu caráter jovial e brincalhão atraiu a simpatia e o afeto dos pastores, que lhe construíram um templo. Andava, em geral, coroado de hera, com uma taça de vinho na mão. Os sátiros gostavam de carregá-lo e as ninfas o amavam por sua bondade. Dizia-se que esse velho voluptuoso, nos seus momentos de sobriedade, era um grande sábio e profeta.

Um mito conta que foi encontrado bêbado e perdido na Frígia, onde foi encontrado por camponeses e levado ao rei Midas, que o tratou com bondade. Dioniso ofereceu ao rei uma recompensa e Midas escolheu o poder de transformar tudo que tocasse em ouro.

Os daimones, como aquele do qual Sócrates se gabava de ser acompanhado, eram às vezes chamados também de silenos.
Nas traduções do Antigo Testamento (notadamente Isaías 13:21 e 34:14), o termo "sátiro" é às vezes usado como tradução do hebraico se'irim, "peludos", também traduzido como "demônios" ou "bodes". No folclore dos antigos hebreus, se'irim era um tipo de daimon ou ser sobrenatural que habitava lugares desolados. Existe uma alusão à prática de realizar sacrifícios aos se'irim no Levítico, 17:7. Essas entidades podem estar relacionados ao "demônio peludo dos passos montanhosos" (azabb al-akaba) das lendas árabes.


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